...Saudades do meu TCC.
...A história se organiza a partir das relações com o poder e está ligada não à cronologia, mas às práticas sociais. "Em tua história consagrada escreveram páginas de ouro, guias defensores do amanhã, futuros doutorandos do Brasil" "E a história não muda esse vai e vem será que no futuro tudo vai estar bem? Dizem que o futuro esta em nossas mãos atadas por algemas que não podemos ver"; "solidão acabou chegou ao fim, felicidade tem hora ainda há de ser favela, peça em museu de história"
"É a semântica o constituinte crucial do discurso, o qual, no objeto de análise, se dá como efeitos de sentido entre interlocutores. Na materialidade discursiva é a dimensão ideológica que institui em seu centro a historicidade, marcando trajetos de sentido" (Furlanetto; 2003) É conhecido que a ideologia via de mãos dadas com a história, salvo, talvez nos governos militares onde como a história não podia se deter, era detida a ideologia. "Nas favelas, no Senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a Constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é este" "Não caia nessa que já conseguiu Mudar a cabeça do nosso Brasil Quem manda no povo é quem nunca se amou Os nossos direitos viraram favor Quem manda na gente é quem já conseguiu Roubar todo ouro que a gente ganhou Roubaram até nosso estado civil A ordem e progresso sei que acabou A nossa bandeira virou desamor que foi que fizeram com nosso Brasil Já não sei se ele é nosso Mas se não for ninguém viu" "Diante de tantos problemas um ato de expressão é o nosso lema" talvez por ser a música a única ou a melhor maneira de terem o povo brasileiro de se expressar ou seja de manifestar o que pensam.
O contexto sócio-histórico-ideológico (Orlandi; 1999) é parte das condições de produção que fazem parte da exterioridade lingüística. "Realidade dói: segregação, menosprezo é o que destrói. A maioria é esquecida no barraco que ainda é algemado, extorquido e assassinado. Não é moda quem pensa incomoda. Não morre pela droga, não vira massa de manobra, não idolatro a Mauricinho de TV, não deixa se envolver porque tem proceder Pra que? Porquê? Só tem paquita loira. Aqui não tem preta como apresentadora. Novela de escravo, a emissora gosta. Mostra os pretos, chibatadas pelas costas. Faz confusão na cabeça de um moleque que não gosta de escola. Quando for roubar dinheiro público vê se não esquece que na sua conta tem a honra de um homem envergonhado ao ter que ver sua família passando fome ‘Ordem e progresso e perdão’. Na terra onde quem rouba muito não tem punição."
A língua por si só cria identidade (Orlandi; 1996; 98). Então pode-se dizer que todo texto é língua em uso e que todo discurso é criador de identidade, motivo pelo qual pode-se afirmar que a música popular brasileira deve ser considerada não tão somente como uma expressão popular senão também como amostra da identidade do povo na qual se insere. "Não temos identidade própria copiamos tudo em nossa volta. Nunca fomos tão brasileiros"; "nossa identidade é nosso lar" A sociedade está condicionada lingüisticamente e as duas estão limitadas pela convenção (Orlandi; 1996; 105) "juntam-se premissas sociais, atitudes, convicções, que fazem parte do ato da linguagem, da comunicação" (Orlandi; 1996; 103) Manifestar opiniões através do gênero musical é aceita pela sociedade como manifestação cultural e é considerada como válida.
O Brasil tem mais a ver aliás do seu futebol, seu carnaval, sua música e suas mulheres...
..."A produção de um texto exige certa configuração (gênero) orientada pela coerência semântica e discursiva (sentido), relativamente a certo momento e espaço histórico (situação); um texto traz marcas culturais e envolve um conjunto complexo de formulações subjetivas; sua emergência se dá como uma resposta às motivações que vêm também em forma discursiva (interação), podendo estar associadas às formulações não-verbais." (Furlanetto; 2003) Ao analisar os textos que foram apresentados precedentemente segundo os ângulos descritos por Furlanetto observamos que podemos entender cada discurso como uma peça de teatro, tendo em conta a definição de linguagem; constituem uma unidade de sentido; são objetos lingüísticos e históricos; são objetos de um processo autoral; relacionam-se com outros textos e com a memória dos discursos sociais -interdiscurso; pertencem ao gênero musical.
Concluindo, podemos afirmar que o Brasil não tem cara, tem caras. Toda e cada uma delas mostra um pouco dele. O brasileiro percebe o seu país e seu povo de inúmeras maneiras, tem uma clara visão da realidade, da sociedade na qual se insere e da história e posição que lhe toca viver. Apropria-se da sua ideologia a qual leva na frente. É capaz de retratar seu povo, seus costumes e criticar a sociedade à que pertence. Embora critique o mostre, algumas vezes a realidade nu, tem sempre presente no horizonte a fé em Deus e a esperança de que todo pode melhorar. É como bem diz o dito, eles sabem bem o que é "o jeito de ser brasileiro" e tudo isso é o Brasil.

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