
Enquanto no sofá, meu único desejo é que, sem mais nem menos, você desista da arrumação,
me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra
pessoa... Quero que você pergunte se eu quero ir ao cinema mais tarde. Se eu quero tomar uma taça de vinho no fim do
dia, quando eu me cubro de livros, textos, planilhas, cadernetas e planos de
aula... Depois, deitar do seu lado na rede, na varanda, olhando o céu e ouvindo
você me contar histórias do passado. Ao mesmo tempo eu me pego conduzindo a
conversa para o futuro e quando percebo escuto os seus sonhos e esboço um
sorriso ao constatar a minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente
não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale
da casa que teremos, do sítio, e das viagens que faremos. Quero que você descreva
cada momento em detalhes, que fale da horta do sítio, da reforma da área externa
da casa que construiremos, dos cachorros, e roteiros, e culturas... Que você fale tudo isso enquanto enrola os
dedos em meu cabelo e beija minha testa entre uma fala e outra. Quando levantarmos
estarei pedindo a Deus que você nunca deixe de ouvir a música da sua
existência, que a promessa que você me fez, de que a felicidade em sua vida não
será um destino e sim a caminhada que você faz nela, nunca seja esquecida. Assim,
nos infinitos momentos de despedida entenderei que teremos sido felizes pelos
vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhamos enquanto olhávamos o
céu... Depois do último beijo e do último abraço, cheiro, da noite, desejarei
que na volta pra casa você acredite que não me deve nada, simplesmente porque
os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então,
que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. E do
futuro que planejamos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos.
Que termine a noite com a sensação de ter me degustado por completo, mas como
quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado
um pouco mais. Eu.... Eu irei pra cama acreditando que até o último dia da sua
vida, você espalhará, delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes,
como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma
parte de você realmente acredita que ela foi, de fato, a mais bela história de
amor da sua vida. Os meus olhos se fecham e o meu sorriso se abre com o
acalanto que mesmo que possa não ser assim, você nunca mais deixará de pensar
em mim quando for a Londres, quando for à Chapada, quando escutar Tears for Fears e Milton Nascimento, quando ler Dickens e
Alencar, quando jogar Dante’s
inferno, Resident e GTA, ou quando comer lasanha, maniçoba e ambrosia. Suas
paixões!
Há! E, por fim, que você continue a dançar na sala. Para
sempre. Mesmo quando eu não estiver mais em sua frente, mesmo quando eu não estiver mais olhando...
Dulciane Nunes
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